sábado, 24 de janeiro de 2026

Entrei aqui, encontrei textos melodramáticos publicados e principalmente confissões sinceras nos rascunhos. É engraçado e reconfortante ler a si mesma anos depois, declarações ingênuas e empolgação com a vida.

Bom, hoje eu tenho 31 anos. Muito do que era confusão e sonho virou realidade ou deixou de existir. Já as confusões, viraram outras. 

Primeiro, o amor. A inquietação e ansiedade por um amor intenso, sofrido e, principalmente, que pudesse ser escrito, passou. Depois de um relacionamento bilateralmente abusivo e alguns encontros de procedência duvidosa, sinto que essa área da vida sossegou. Hoje, estou em um relacionamento que, aparentemente, irá durar. Uma pessoa que dispensa performance, que posso muito além de ser eu mesma, posso experimentar muitas de mim. É um relacionamento monogâmico, sim. Mas vivencio uma liberdade de ser enorme, com apoio e acolhimento no final do dia. Outro ponto importante é que, apesar de ser uma parte importante da minha vida, ocupa pouco espaço na minha cabeça. Explico. Eu estava habituada com relacionamentos que ocupavam toda a minha cabeça, cheios de ciúme, inseguraça e manipulação. Agora, não. Ele está ali, no meio dos meus pensamentos o tempo todo de uma forma discreta e carinhosa. Mas não ocupa o espaço todo, eu sinto que a minha cabeça continua livre para pensar e fazer outras coisas, que a minha vida continua acontecendo. E essa sensação é libertadora. Nunca mais quero viver um amor de outra forma. 

*Um breve parêntese: estou escrevendo para mim mesma, pensando que talvez eu volte daqui alguns anos para ler, e rindo sozinha das coisas que viraram questões por causa das redes sociais, como monogamia. 

Segundo, os amigos. Me sinto com poucos amigos, principalmente amigos que eu possa compartilhar minhas questões mais inquietantes. Com a minha melhor amiga, ainda tenho uma relação não muito bem resolvida.  Ainda sim, não consigo pensar nela de outra forma que não seja minha melhor amiga. De alguma forma, que eu ainda não compreendi, ela me faz bem e me faz mal. Vou demorar mais um tempo aqui. Sinto que é a amiga mulher mais íntima que tenho, já que a nossa amizade iniciou na adolescência. Sinto que o meu lado menos maduro e mais irracional pode existir, e alguns assuntos só consigo compartilhar com ela. Depois de adulta, não consegui estabelecer esse vínculo tão íntimo com nenhuma outra amiga mulher. Acho que é por isso que a amizade dela me é tão cara. Além dela, tenho uma outra amiga muito especial, que é uma das pessoas que mais tenho carinho. Sou dinda da filha dela. Como ela tem uma filha, não me sinto confortável para falar das minhas questões existenciais, já que todo problema parece menor do que ser mãe. 

Falando em ser mãe, terceiro: meus pais. Nossa relação melhorou consideralmente, depois que eu saí defnitivamente de casa. Eu cresci e entendi que eles são só duas pessoas cheias de questões não resolvidas e tudo bem. Não são excepcionalmente problemáticos. Guardo algumas mágoas, mas também nada que hoje ocupe tantos espaços na minha cabeça. Esses dias percebi que tenho me tornado cada vez mais parecida com eles, e foi um sinal de alerta. Eu estava na praia, e percebi que tinha muitos medos: de me afogar na água, de cair e me ralar nas pedras. Minha mãe também é cheia de medos, não quero ficar assim. Nesse dia, eu brinquei na água do mar com empolgação e senti que posso quebrar esse ciclo, aos poucos, sem ficar refém também do medo de ficar igual a ela. Meu pai talvez seja meu maior problema, pois eu sou bastante dependente dele, não há problema na minha vida que eu não pense que ele poderia me ajudar. Fico preocupada com o seu estado de saúde, já que ele é obeso, se alimenta mal e não pratica exercícios. Já tentei ajudar, mas não adiantou. Embora eu tenha noção de que ele é um adulto, me sinto bastante culpada por não ajudar mais.

Aliás, um outro parêntese: nessa semana da praia, uns dois dias nós ficamos na mesma casa que meus pais. Foi ótimo, eles pareciam verdadeiramente felizes com a nossa companhia. Queria ter mais momentos assim. Sinto que antigamente eu tinha uma raiva e ansiedade no coração, e o tempo todo eu achava que algo estava errado. Mas essa raiva passou, e agora eu consigo aproveitar esses momentos com mais leveza e distanciar de mim aquilo que não me pertence.

Quarto, meu irmão. Hoje ele tem 19 anos e é muito diferente de mim. Minha prioridade sempre foi estudar. Mas ele não gosta muito, é desligado para o mundo e eu tenho dificuldade de entender isso. Às vezes me sinto culpada por ser tão implicante com ele, mas estou tentando mudar. Ele está se tornando um adulto responsável, trabalha bastante e é bastante organizado com a sua vida. Mas eu sei, e me dói admitir, que no fundo eu acho ele meio fútil. Preciso melhorar essa relação.


Quinto, o resto. O motivo que recomecei a escrever. Lendo meus textos antigos, eu relembro da inquietação que eu tinha no coração. Uma ânsia pelo futuro, de forma até empolgada. E agora estou aqui: formada, trabalhando na minha área, pagando as minhas contas. Sou uma boa profissional, onde quer que eu trabalhe, sou elogiada e bem recomendada. Os alunos gostam das minhas aulas e tudo corre bem. Acho que, quem sabe, a Camila dos textos antigos estaria orgulhosa de quem nos tornamos hoje. Apesar disso, ando novamente com uma inquietação no coração e sinto que minha vida precisa de uma nova guinada. A questão é que eu esperava que aos 31 eu teria maior estabilidade financeira. Mas às vezes parece que eu acabo voltando ao ponto em que eu estava ingressando na área, precisava trabalhar muito para 'fazer currículo'. Queria ter viajado mais, conhecido outros países, e até agora nada. Continuo trabalhando para pagar as contas do mês. E cansei. Quero uma guinada de amadurecimento financeiro e profissional. Alguns decisões têm sido tomadas como: fazer doutorado, passar em um concurso. Mas no fundo, eu sinto que lido de forma imatura com essas decisões e acho que foi por esse motivo que eu quis voltar a escrever. É quase como se eu estivesse fazendo um combinado com a Camila do passado e com a do futuro. Não quero fazer as coisas pela metade ou superficalmente, eu quero encarar com honestidade e maturidade esses compromissos que estou assumindo comigo. 



Acho que é isso por hoje. 
Beijos para a Camilinha de algum momento que vai ler esse texto.







sábado, 1 de setembro de 2012

Uma nota bem pessoal. 31/08/2012.


Sempre planejei o dia que esse momento chegaria. Imaginava o que eu faria, como seria a minha rotina e  esperava que uma paixão louca me arrebatasse. E o dia estava cada vez mais próximo e nada acontecia. Comecei a ficar meio desesperada, ou talvez frustrada defina melhor a forma como me sentia. Eu tinha que por um destino na minha vida e nada parecia bom o bastante. Ou talvez tudo parecesse bom demais, e eu não conseguisse pensar no quefaria, mas pensava nas coisas que deixaria de fazer escolhendo uma só. A faculdade foi um chute que eu dei às cegas, e um chute bem dado, por sinal. Mas em nenhum plano que eu tenha feito conseguiu ser tão incrível assim. E sim, eu descobri a minha paixão louca. As coisas estão em harmonia agora, encontrei algo que vale a pena o meu esforço. Eu to exatamente no momento que eu sonhei, só que muito melhor. Eu também não planejei encontrar alguém que pudesse sonhar comigo e estar comigo. Na verdade, eu sempre achei que “estar com alguém” fosse uma forma de se trancar e deixar de evoluir. Bom, esse alguém conseguiu me virar do avesso mesmo. Mas eu me sinto realmente feliz em ter uma pessoa comigo, não só pela comodidade de ter alguém pra dividir os problemas, mas pra somar, pra sonhar, pra construir junto. E, talvez, sem ele eu nunca tivesse chegado aqui, nunca estaria tão completamente feliz. E quem diria que a maior forma de felicidade pra mim um dia seria ir numa padaria e comprar pão pro café? 

terça-feira, 6 de março de 2012


Que seja carinho todos os dias, que seja afago, abraço e gosto de quero mais. Que seja dor também, mas dividida, equilibrada. E que seja todos os dias. Mas quando a companhia já for indiferente e o tanto faz prevalecer, então, que não seja mais. Que a mesmice não invada os dias e que seja sempre bom ter a pele na pele. Mas quando isso for a segunda opção, que não seja mais. Porque não quero uma meia história. Não quero o comodismo e o descaso.

Então, que sejamos eternos. Eternamente nós.

Escutar:  Criado Mudo, O Teatro Mágico.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Atmosfera

A janela velha, com a tinta azul fraca descascada, as flores coloridas penduradas. Flores de verdade, não aquelas que morrem todos os anos. O cheiro de fim de tarde e o ritmo desacelerado do verão. Tudo completando a atmosfera irresistível do meu mundo.

Há algum tempo tudo foi tão diferente. Tão frio na alma, tão gelado nos gestos. Estive como um castelo de cartas, prestes a sucumbir a qualquer brisa. E em terras onde sopra o Minuano isso é muito perigoso. Tentei desesperadamente pegar algo que eu podia enxergar com todos os detalhes nítidos, mas estava longe demais dos meus braços. Mesmo já tendo estado tão perto. E, depois do amor, o que pode fazer com que as pessoas tomem atitudes drásticas é o desespero. Então o que acontece quando os dois resolvem caminhar juntos? Pois é.

Mas algumas coisas são imutáveis, permanecem dentro de nós, mesmo que adormecidas, quietinhas, tentando achar uma brechinha pra fugir. E eu fiz de tudo para sacudi-lo, acordá-lo, salvá-lo. Tentei de todas as formas que eu pude. E essa é uma história feliz, então, eu posso dizer que funcionou.

E agora o sol se abriu, sorriu e cantou. Agora sou feita de alegrias, tão alegres que às vezes transbordo num choro de lágrimas quase doces. O mundo parece meio amarelo, meio ritmado. E isso é um clichê enorme, a velha história dos sinos nos ouvidos.

Estou à flor da pele, sentido a vida em cada parte do meu corpo. Estou arrepiada, assustada, entusiasmada, eufórica, trêmula, firme, cantarolando e rodopiando. Como se tivesse tomado uma injeção de adrenalina. Mas também me sinto calma, anestesiada, entorpecida, embalada, aninhada.

E aqui, nessa janela, o mundo se completa. E parece mesmo que o sol está cantando. Nosso pequeno mundo girando. Sentir seus braços, sua respiração, seu cheiro, isso tudo parece mesmo um sonho, só que um sonho sólido, palpável. Um sonho com textura e sabor.

Que isso seja assim, leve, sem pressa, colorido e suave pra sempre. Que seja sempre tudo tão nós.



- Escutar: Seus Passos - Skank

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Só sei dançar com você"

O mundo poder ser sem cheiro, sem cor, parado. A vida pode ser apenas uma contagem de tempo, uma espera infindável. Até que alguém da uma sacudida e faz tudo virar caos. Daí, meu amigo, tudo perde um pouco do sentido. Ah, mas então vem a surpresa: tu percebes que, na verdade, agora é que as coisas entram nos eixos. Esse caos parece música e tu aprendes a dançar com ela. Então tu te vês bailando, rodopiando dentro de ti. E, meu amigo, é assim que eu estou. Tonta, tonta, tonta, de tanto rodar. E isso me faz completa, feliz, transbordante, e então as palavras fluem, a idéias criam asas, os pontos se conectam. A inspiração vem e eu me sinto arrepiada, querendo viver, querendo sentir cada cheiro ao meu redor. Isso é amor, e eu estou cheia dele na alma, no coração e na mente. E eu só acerto o passo dessa dança com ele, no nosso estranho jeito de coreografar a vida.



Inspirado na música da Tiê, Só sei dançar com você.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Então eu paro mil vezes aqui. Olhando pro teclado, escrevendo e apagando. Eu tento entrar em mim mesma, eu tento sair e ver o mundo. Mas eu só consigo pensar na descrição dos teus olhos, na textura da tua pele, no cheiro do teu pescoço.  Mas, meu bem, isso está gravado em mim, cada canto e singularidade tua. E eu fico rodeando, procurando por um sorriso que eu ainda não conheça, por um olhar e uma expressão que eu ainda não tenha aprendido. Mas eu sei tudo, meu bem, teu início, meio e fim. Tudo em mim, como se fosse eu também. Talvez eu até tenha um sorriso teu na minha cara, e um jeito teu de olhar, transfigurado e torto nos meus olhos. Mas é como se fosse eu também. Ao mesmo tempo em que tu és meu avesso. Tudo que não coube em mim, encontro em ti. Tu és a certeza e eu sou a loucura. E aí que está o equilíbrio das nossas almas, que dançando se encontram e se completam, como se só pudéssemos ser bons juntos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nem Céu, nem Inferno

Eu não tenho alma. Sou oco como uma árvore podre. Passo os dias vagando, como uma sombra que se desprendeu do seu corpo, sem uma explicação lógica pra existir. Eu sou muito pior que isso. Porque eu vivo da vida e da morte. Eu nasci matando e consciente. Eu sou a escória.


Eu vim de um grito. Mas não um grito de dor física ou de felicidade. Mas de arrependimento. Uma vontade tão grande de voltar no tempo, que eu penso que poderia ter me extinguido. Mas eu não tenho essa sorte. Um arrependimento cheio de nojo, de repulsa, de vômito. E eu senti tudo isso quando nasci. É a única lembrança que eu tenho dela, a Senhora minha mãe. Tudo aquilo que ela sentiu, eu senti junto. E depois foi só clarão.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ele é um cretino, é. Um galinha. Mas ele me ensinou que algumas histórias de amor não duram pra sempre, e nem por isso se tornam tristes ou incabadas. Era bom enquanto durava, era doce, fez meu inverno mais quente. A gente tinha certa camaradagem, certa liberdade de falar sobre o mundo. A gente tinhas duas vidas então, a nossa vida separados e a nossa vida juntos. E a única que me importava era a nossa vida em conjunto, aquela vida breve, que passava rápido e tinha de cenário o cotidiano das diferenças das pessoas que vão e vêm. O resto pouco me importava. E era tão bom. Mas acabou. E acabou da mesma forma que começou, devagar, de leve, compreensivelmente. Acabou antes que pesasse, antes que a rotina sem compromisso se tornasse uma cobrança sem sentido. Acabou na hora certa, de modo a deixar permanecer as marcas das mordidas e o gosto dos beijos. Deixou a saudade do sorriso, do cheiro e da voz. Uma nostalgia boa de se ter, que desenha um sorriso no rosto da gente, cheio de sensações antigas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nó_

Eu falei tudo por orgulho, por birra. Então eu não deveria me sentir assim, tão ferida. Tão atingida. E na verdade, a decisão foi minha. Eu decidi desistir e recomeçar. Eu decidi mudar de planos, eu decidi minhas novas metas. E na verdade, elas parecem ser muito mais atraentes que você. Mas porque tudo ainda parece tão incompleto?  E porque diabos eu tenho essa mania de querer preencher todos os espaços? E porque eu tenho a impressão que é você o que exatamente falta?

terça-feira, 19 de abril de 2011

E o que era pra desfazer, apenas refaz. Por simplesmente ser você.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bater o cotovelo da choque

Palavras ferem, separação desencanta, saudade da um aperto, comer sorvete da um frio nos dentes, briga magoa, passar folha de ofício no dedo corta, comer pimenta queima, frio da arrepio, escuro da medo, passar alcool em ferida arde, sonhar que está caindo assusta, distância abre um buraco fundo no peito,

mas nada machuca tanto quanto a droga da esperança.

De novo

Às vezes uma tempestade pode acontecer, o obvio pode estar escancarado na sua frente, e isso não te fazer mudar. Enquanto poucas palavras pode simplesmente fazer a ficha cair. Podem te fazer enxergar melhor. Mas isso não vai mudar o que você sente. Apenas página virada, tentar algo novo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Vacilando

entre o extremo da felicidade e do nojo.

Where did go wrong, I lost a friend

Então eu te vejo caindo, te afundado aos poucos, caminhando com as próprias pernas rumo à merda. Vejo teu sorriso podre, festejando a própria desgraça. E eu tento entender o que há de bom nisso. Qual lado dessa bagunça pode ser recompensador. E simplesmente não consigo enxergar. Eu te vejo ainda menino, ainda ingênuo, ainda com a inocência de um garotinho sonhando. Um menino envelhecendo, apodrecendo, virando carniça. Mas eu não consigo aceitar. Não consigo dar-me por vencida, não consigo desacreditar-te.

E o pior de tudo é saber que sou incapaz de te puxar, de te pegar no colo e te fazer parar. Incapaz de te salvar. Saber que eu daria a minha vida pela tua, que eu engoliria todo o mal do mundo pra te ter ileso. E que isso não é o suficiente. Ver meus braços imóveis, enquanto eles deveriam estar cheios de ti, da tua essência protegida e guardada.

How to save a life?
The Fray

Esperança de Pé

Correr, correr, correr. Correr contra o tempo, contra o surreal, contra a insanidade, contra os sonhos. Correr para o abismo, correr para cair. Correr desesperadamente, ensandecida. Correr com os pés pesados, fatigados, desistindo aos poucos; e às vezes leves, entorpecidos, descontrolados, iludidos. Mas correr, correr, correr. Correr sabendo desde o início que entrei para perder.

sábado, 12 de março de 2011

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Âmago


Lá estava a Morte, com sua típica capa preta e sua foice em punho. Mas ao contrário do que se imagina, o seu rosto não é aterrorizante e nem demoníaco. Talvez a sua falta de expressão e ânimo seja ainda mais frustrante e medonha. E seria redundância dizer, mas os olhos da Morte são ausentes e sem vida. E isso é o que mais amedronta as pessoas. Não é de figuras espectrais que elas têm medo, mas sim do nada. Um animal de chifres ardendo em fogo e salivando por arrancar-lhes a alma seria menos pavoroso para os humanos do que a Morte e o seu nada. Eles tanto têm medo, que criaram demônios para si, paradigmas e leis. Criaram um céu e um inferno. E o que chamam de medo é na verdade o seu porto seguro. Bem, na verdade, não é exatamente do vazio que provém seu medo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

É sempre amor mesmo que mude.


Querido Diário,


Hoje ele não me ligou e não respondeu meus e-mails E eu não senti a sua falta. Acho que talvez ele nem seja tudo aquilo.

Boa noite, Larissa. 12/04/2010.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Com carinho, amor.


A percepção do tempo varia de pessoa e coração. Às vezes a vida pode oferecer oportunidades de avançar no espaço, correr pelo relógio e saltar pelos dias. E também pode fazer com que o mundo gire do seu ritmo normal. E ali, o tempo havia deixado suas marcas.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Alquimista


 Amor, amor, amor. Nunca fui boa com isso. Nem encontrei alguém que eu realmente quisesse estar perto o suficiente. Mas ele... Ele era perfeito.
O seu sorriso. Tudo começou por causa do se sorriso. E juro que sou capaz de fazer qualquer coisa pra vê-lo lá, estampado. E não é preciso fazer muito. Está sempre lá, desenhado no seu rosto inacreditavelmente lindo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A moça e o rapaz.

Eis aqui uma historia de amor. Entre uma moça e um rapaz.
A moça era tão pequena e delicada. Cor de leite. Seu rosto tinha linhas suaves e dois olhos de amêndoas perspicazes. Mas de ingênua a moça só tinha a pele e a voz. Era ácida ela. A moça não conhecia o amor.
O rapaz era grande e suave. Cor de chocolate. Seu rosto tinha linhas perfeitas e dois olhos de amêndoas de amor. O rapaz tinha tanto amor que gostava de distribuí-lo. Era do mundo, ele. O rapaz sabia amar.

domingo, 2 de maio de 2010

Um homem fatal.

Um homem não vive sem uma mulher. Isso é totalmente impossível e inquestionável pra eles. Mesmo um homossexual precisa da presença feminina de uma amiga pra ter seu ciclo de amizades completo. Os homens gostam do poder que exercemos sobre eles. Mesmo os machistas, sem perceber, gostam de se sentir subjugados por uma mulher poderosa. Uma mulher fatal. Conosco funciona da mesma maneira. Somos capazes de amar homens ternos, gentis e amorosos. Mas a paixão, ah, só ocorre diante de um homem fatal. E Fernando era um homem fatal.

terça-feira, 16 de março de 2010

Último vinho - #G&V

"Sempre me senti muito sozinha. Acho que é por isso que tenho a mania de querer ajudar as pessoas, de sempre dar tudo pra que elas sejam felizes. Talvez por carência, ou talvez seja mesmo pra esquecer minha solidão, pra me ausentar de mim mesma. Meus namorados nunca pareceram estar totalmente ligados a mim. Na verdade, nunca ninguém pareceu estar realmente comigo. Até já me acostumei com a idéia da solidão. Do descontentamento acomodado. E venho vivendo o tempo como se ele não existisse; como se fosse apenas conseqüência do tédio. Vou vivendo a vida dos outros, enquanto a minha vai passando às cegas. A faculdade de psicologia pouco me ajudou a entender a mim mesma. Talvez eu seja apenas um corpo sem alma, vago, sem sentido, um porto seguro pros outros, incapaz de se proteger. "

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Vampiro Brasileiro

Na escuridão da noite, na obscuridade dos becos eu até imaginaria encontrar um vampiro. Mas não nesse sol de torrar. Não, nunca imaginei.
Mas lá estava ele, numa ruazinha solitária, sem nenhum vestígio de sombra. A princípio, não parecia com as imagens de vampiros que vemos na TV. Parecia mesmo era um conquistador de plantão, escorado na parede, com um sorriso de canto e despindo-me com os olhos.